23 abril, 2011

O desafio da família no séc. XXI

O século XXI vai ser o da mudança na reorganização entre a vida privada e a profissional porque as exigências do mercado de trabalho estão a «estrangular» as famílias, sustenta a especialista Maria do Pilar González. «O grande desafio da sociedade é a conciliação da vida privada e profissional. Este estrangulamento, esta pressão de disponibilidade por parte dos empregadores é uma condicionante das decisões familiares que, por serem da esfera privada, não são discutidas publicamente», sublinha a professora da Faculdade de Economia da Universidade do Porto.

O problema, explica, é que as instituições exigem aos trabalhadores enorme disponibilidade, «como se o trabalho doméstico não existisse». Mas ele «existe, tem valor social e alguém tem de o fazer», defende, alertando que existe o risco de as carreiras profissionais se tornarem de tal forma exigentes «que as pessoas têm de se dedicar exclusivamente ao trabalho».
Lembrando que Portugal já padece de um défice demográfico, a professora afirma que a tendência será sempre para «flexibilizar o trabalho doméstico», onde se inclui o cuidado dos filhos e dos idosos, deixando-lhes «o tempo que sobra, que é pouco». A solução passa por «assumir que o trabalho doméstico tem de ser feito», e que «se o trabalho remunerado é dividido» entre homens e mulheres, «o doméstico também tem de ser».
A professora defende que os homens devem «usufruir dos seus direitos de paternidade e as empresas devem achar normal» que o façam. «Porque a legislação é avançada pensa-se que está tudo bem, mas não está. As coisas mudaram muito mas as mulheres continuam a ser os principais agentes do trabalho doméstico», observa.
Maria do Pilar González recorda o inquérito feito pelo Instituto Nacional de Estatística à Ocupação do Tempo, em 1999, que mostrava que os homens trabalhadores dedicam, em média, «mais duas horas ao trabalho remunerado do que as mulheres trabalhadoras», ao passo que elas «ocupam mais três horas do que eles com o trabalho doméstico».
O estudo «Panorama de Indicadores Sociais 2011» da OCDE diz que as portuguesas passam mais quatro horas a fazer trabalho não remunerado do que os homens e que, numa lista de 29 países, apenas na Índia, no México e na Turquia a disparidade é mais elevada. Juntando o trabalho pago ao não pago, Portugal é o segundo país (a seguir à Índia) onde a diferença é maior: elas trabalham cerca de uma hora e meia a mais do que eles.

É por isso que, para Maria do Pilar González, é preciso ver se as decisões femininas de abdicar ou fazer pausas na carreira para cuidar dos filhos «são mesmo escolhas ou são condicionadas pelas decisões do mercado de trabalho». Os empregadores «contam mais com os homens e são menos condescendentes com eles em relação à vida familiar», observa.

Fonte: Pais&Filhos

1 comentários:

Elsa disse...

Com o ritmo cada vez mais exigente que nos é imposto pela sociedade, começa a ser cada vez mais difícil ter tempo para a vida familiar. Todos gostaríamos de mudar isso, mas a verdade é que não é nesse cominho que estamos a seguir...
Tenham uma excelente Páscoa em família.

*Beijinhos*

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